domingo, 2 de junho de 2013

o grito de um homem envenenado

Não entendo quando dizem que não entendem o que digo;
não falo nada difícil, não falo nada demais,
só peço que entendam que somos todos iguais.

Não por fora, mas por dentro, no coração
onde a poesia nasce e nos eleva do chão
- ou não,
nos puxa pra terra, pra debaixo da rocha
mas de qualquer forma ela nunca se afrouxa
ao contrário sempre se afia como uma lâmina
correndo por dentro de toda a minha glândula.

Minhas células são africanas, indígenas,
portuguesas, importadas e nacionais
(E ainda há quem fale mal das rimas dos Racionais...),
mas essa agora não é minha questão
quero criticar a filosofia da pura aceitação
pois sei que todos são capazes de enxergar
só não sei até que ponto podem se repensar
- uma semântica baseada em todo o preconceito,
sentidos se construindo a partir do esquecimento
então peço que você busque na tua memória
tudo aquilo que já aprendeu da nossa história
de lutas, de conquistas, mas também de escravidão
e mais atualmente, de toda essa opressão.

Uma ditadura se instalando silenciosamente
excluindo todo aquele que não está contente
com a bola na rede, com a copa do mundo
todo que sabe que o dano é mais profundo
e não podemos esquecer nossos ancestrais,
os tempos de avôs e também de nossos pais.

Não podemos apagar o nosso passado
mas se que saber, também já to cansado;
estou ficando velho, a cada segundo aumenta minha idade
mas quero ser atemporal, eu quero ser a tempestade
algo que cai sobre vocês como algo inusitado
eu quero ser o grito de um homem envenenado!

Eu não sou músico!

Eu não sou rapper!

Eu não sou bonito!

Eu não sou legal!

E ainda assim, peço que me ouçam por alguns momentos
peço que ouçam todos esses meus lamentos
pois meu amigo se matou com uma corda no pescoço
e isso só me jogou para o fundo do poço:
já pensei em me jogar da janela do quarto andar
- juro por Deus, já pensei em me matar.

Mas agora sei que sou preciso nesta batalha,
então serei um guerreiro, eu serei uma navalha!
E quando alguém algum dia tentar impedir vocês
de realizarem seus sonhos, de alcançarem sua vez
eu estarei lá ao seu lado e vos direi: vão fundo!
se eles tentarem, vão ter que passar pelo meu defunto!

Eu sei muito bem que não sou lá muito forte,
mas quando há coragem não há alma que se entorte.

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