As verdades cruas se fazem evidentes
quando olhamos com foco para nossa frente,
quando olhamos para aquilo que nos rodeia,
quando olhamos para os homens presos na cadeia.
Eles assaltaram sem dó o caixa forte
e agora pegaram sua pena de morte
que não existe no Brasil - ou será que existe?
Será que na cadeia algum detento resiste
à ideia tentadora de meter bala na cabeça
de qualquer malandro safado que se esqueça
de qual é que é o seu lugar
que se esqueça da merda em que ele tá?
(Cárcere pra alma, prisão pro espírito
- vacilou, qualquer hora tomou tiro.)
Lá dentro a língua do sofrimento se entende,
mas a universidade não ensina pra gente, não
- Estudar a sociedade é diferente de vivê-la,
é muito diferente de estar dentro do esquema.
Semiautomática, metralhadora, 15 kg de crack
e vai saber o que mais, que a gente nem sabe.
Mas isso tudo só é a minha imaginação,
eu nunca fui lá dentro ver a verdade não...
Mas quem sou eu pra dizer quem é culpado?
O que eu sei é que também já fui roubado,
Mas se quer saber, eu também roubaria
pra fazer de minha mulher uma rainha
se desde que ela nasceu, ela só sofreu
- parece que da favela alguém se esqueceu...
(Cárcere pra alma, prisão pro espírito
- vacilou, qualquer hora tomou tiro.)
E hoje em dia é fácil falar que lá só vive o mal
que lá todo dia parece um carnaval,
a bateria tocando o som de tiro
todos os santos se foram pro Retiro
e de lá ninguém nunca mais voltou
pra essa terra de ninguém, pra essa terra sem doutor.
O defunto tá cantando, já deu meia noite
- tá na hora do açoite.